terça-feira, 17 de agosto de 2010

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Relatório mundial 2010 sobre ciências sociais

Centenas de cientistas participaram no mais panorâmico relatório sobre as ciências sociais no mundo. Alguns resultados:
-América do Norte e Europa ainda produzem 75% das revistas de ciências sociais, sendo 85% em inglês
-Economia e psicologia produzem o maior número de revistas
-No Brasil o número de cientistas sociais quase triplicou em dez anos
-Na China, o orçamento para ciências sociais e humanas incrementou de 15 a 20% anualmente desde 2003
-Crescimento maior em revistas na América latina e na Europa
-Na África subsariana, 75% das publicações de ciências sociais pertencem a algumas universidades da África do Sul, do Quénia e da Nigéria.
Relatório integral aqui; nota de imprensa aqui.Free Translation

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Para cientistas

Dois portais úteis para cientistas, aqui e aqui.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Dica de filme: Nome de Familia

"Nome de Família" aborda identidade no mundo globalizado"

Eu assisti e acho que vale a pena ver.
O cinema da diretora indiana Mira Nair ("Um Casamento à Indiana") sempre esteve focado na questão da identidade cultural de seus personagens, por mais distantes que eles estivessem de suas origens. Em seu novo trabalho, "Nome de Família", que estréia em todo o país nesta sexta-feira, o tema conduz a narrativa.
O protagonista é Gogol Ganguli (Kal Penn), filho de imigrantes indianos, nascido nos Estados Unidos. Ele está dividido entre a cultura de seus pais e aquela que ele mesmo encontrou no país onde nasceu. Não por acaso, as pessoas sempre pensam que ele é um imigrante e não um cidadão norte-americano.
Gogol deve seu nome ao escritor Nikolai Gogol (cujo conto mais famoso é "O Capote"). O pai do rapaz acredita que sua vida foi salva graças ao livro do russo que lia quando sofreu um acidente de trem na Índia, nos anos 1970. Para o filho, porém, o nome é uma sina, da qual tentará se livrar diversas vezes. E, quando consegue, passa a sentir um vazio.
O roteiro é assinado por Sooni Taraporevala (que trabalhou com Mira em seus primeiros filmes, "Salaam Bombay!" e "Mississippi Massala") e baseado no romance "O Xará", de Jhumpa Lahiri, uma inglesa descendente de indianos e radicada nos Estados Unidos. Ou seja, a questão da identidade cultural (o duelo entre as tradições e a modernidade) está presente desde o início, com o livro, e passa pela sensibilidade da diretora.
ABRAÇAR O NOVO
Quando Gogol enfrenta o dilema. recebe um sábio conselho: "Abrace o que é novo e não se esqueça do velho." É o que guia o rapaz na sua jornada em busca de se aceitar como filho da primeira geração de imigrantes, que não pode abandonar os ritos tradicionais da família, mas sente enorme fascinação pela modernidade de seu país.
Gogol acaba se envolvendo com a jovem norte-americana Max (Jacinda Barrett). O romance dos dois constrange e assusta os pais do rapaz -- interpretados pelos veteranos atores de Bollywood Irfan Khan e Tabu. O próprio rapaz se convence das dificuldades de manter um romance multicultural e acaba se apaixonando, mais tarde, por uma moça de origem indiana, como ele.
Em "Nome de Família" todos os personagens têm um momento como protagonistas. É como se a vida de todos fosse importante para a construção da narrativa.
Assim, o filme vai somando mais e mais camadas, aumentando sua complexidade. Há também um grande respeito e admiração pelos rituais indianos. Se fosse feito por um diretor de outra origem, o resultado poderia parecer mero encantamento de estrangeiro com as cores e tradições da cultura indiana, mas Mira não se deixou levar pelo lado exótico, ficou muito à vontade e contou a história como se conhecesse cada personagem, o que só aumentou a sua beleza.
(Por Alysson Oliveira, do Cineweb)

VEJA O TRAILER:

quarta-feira, 14 de julho de 2010

terça-feira, 13 de julho de 2010

Revistas do CODESRIA

Pode consultar títulos de revistas do CODESRIA (logo situado à direita) e procurar números online aqui.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Mais projetos de mestrado. Muito obrigado aos ilustres colegas que permitiram publicar estes projetos.

SELECIONAMOS ALGUNS PROJETOS QUE JÁ FORAM APROVADOS EM MESTRADOS NO CEARÁ, E ESTAMOS DISPONIBILIZANDO PARA DOWNLOAD COM A PERMISSÃO DOS SEUS AUTORES.
A NOSSA INTENÇÃO É PODER AJUDAR FUTUROS MESTRANDOS NA CONSTRUÇÃO DOS SEUS PRÓPRIOS PROJETOS.
SE VOCÊS PERCEBEREM BEM OS PROJETOS DISPONÍVEIS AQUI TEM SEMELHANÇAS NA FORMA DA ESCRITA SUGIRO QUE QUEM QUISER FAZER UM PROJETO PARA MESTRADO, LEIA TODOS OS PROJETOS E A PARTIR DAI CONSTRUA O SEU E APROVEITE O QUE DE MELHOR ESSE INTELECTUAIS DEIXARAM EM SEUS PROJETOS PARA NOS.
PS.: CUIDADO, OBSERVEM PRINCIPALMENTE SE SEU PROJETO ESTARÁ DE ACORDO COM AS LINHAS DE PESQUISA DO MESTRADO DESEJADO....


























BOA SORTE E BONS ESTUDOS PARA TODOS

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Representações da história de Moçambique por parte de estudantes universitários de Maputo

Num contexto de democratização do ensino e de proliferação de instituições universitárias, muitos jovens moçambicanos desenvolvem uma cultura mais participativa e informada relativamente às questões sócio-históricas do país. A partir da análise de 180 inquéritos por questionário aplicados a estudantes do ensino superior em Maputo, bem como de um grupo de discussão que envolveu estudantes de uma universidade privada na capital do país, este texto tem como objectivo analisar as representações da história de Moçambique por parte desses actores sociais. Apresenta-se um breve excerto da conclusão:

Ao longo do grupo de discussão constatou-se a existência de uma representação predominantemente negativa do passado colonial, associada sobretudo à resistência dos africanos à presença estrangeira ou à exploração da mão-de-obra africana e dos recursos económicos de Moçambique. Os aspectos positivos associados ao período colonial relacionaram-se sobretudo com questões sócio-económicas – como a construção de infra-estruturas sócio-económicas ou de sistemas de saúde e de educação – e foram normalmente referidos não tanto (ou não só) como um elogio do passado, mas como uma crítica ao presente. De qualquer das formas, qualquer conclusão sobre estes dados deverá ter em consideração um conjunto de três aspectos: o manifesto desinteresse dos alunos pela história de Moçambique, a atitude crítica evidenciada em relação à historiografia, neste caso a moçambicana e, por fim, as características da amostra em análise.

Ainda que uma aluna tenha destacado que muitos moçambicanos “gostam de história, estudam história e até formam-se em história” e que inclusivamente “tem universidades que formam agora professores em história”, a verdade é que a maioria dos estudantes que participaram no grupo de discussão revelaram existir um forte desconhecimento por parte dos mais jovens em relação à história de Moçambique. Esse desconhecimento é explicado pelas carências que se evidenciam em Moçambique ao nível do ensino da história, sobretudo nas escolas públicas, e pelo desinteresse dos mais jovens relativamente a assuntos do passado:

- “Para nós, aquilo é uma época que já tinha acontecido. A história mudou. Fica para os mais velhos. Eu sei, tinha que saber as datas e essas coisas, porque era uma coisa que estudava na escola. Mas depois, eu estava nem aí. A história já passou. Já aconteceu [risos]. Vamos ver o que está a acontecer agora” (aluna de 21 anos);
- “Porque a gente estuda exactamente isso. Isso eu diria porquê? Talvez seria falta de atenção. Porque mesmo agora ela disse, ali é mais para a gente estudarmos. O que nos preocupa é que não tem nada a ver. Aquilo é uma história que aconteceu. Não temos mesmo nada a ver. Quando que…” (aluna de 22 anos);
- “Eu acho que é falta de interesse… dos jovens. A história… quando nós aprendemos a história, não é? Começámos a aprender no ensino secundário. Posso apostar que o que a gente aprendeu, da história, há uns que aprenderam mais que outros. Por exemplo, as escolas privadas têm mais atenção do que as escolas do Estado. Eu estudei numa escola do Estado… e havia muito professores lá que tinham falta de atenção. Eles… pouco falam, acerca da história. Não têm muito interesse… em dar as aulas como deviam dar, se for a ver, a maneira como dá na escola do Estado e a maneira como dá na escola privada é diferente” (aluna de 22 anos).

Estes testemunhos, de aparente vazio informativo, contêm um significado sociológico que importa analisar. Os problemas que assolam os jovens são hoje diferentes. Nas décadas de 1970 e 1980, as preocupações centrais do projecto do partido Frelimo, que terá de início envolvido as populações, relacionavam-se com o desmantelamento das estruturas de poder colonial, com a luta contra o apartheid e com a criação de melhores condições de vida para todos os moçambicanos. Se a independência política está garantida, o país enfrenta hoje novos problemas, relacionados essencialmente com os fenómenos de pobreza e de agravamento das desigualdades sociais. Confrontados com uma sociedade mais orientada para o materialismo e para o lazer, muitos jovens enfrentam hoje novos problemas, relacionados com o emprego, com a habitação, com o transporte ou com o consumo em geral. A proximidade física em relação a focos de riqueza e de consumo e a expectativa de acesso estimula, nas novas gerações, outros valores e necessidades. Trinta e cinco anos após a independência de Moçambique estes entrevistados enfrentam novos desafios, como a inserção e o aumento da competição no mercado de trabalho e de exigências escolares e profissionais. Por outro lado, estes jovens nasceram vários anos após a independência de Moçambique, pelo que não foram contemporâneos do regime colonial. Quando esta geração atingiu a adolescência, o regime monopartidário, envolvido em ideais marxistas-leninistas, tinha dado lugar a um outro, mais democrático e tolerante, relativamente aos costumes e aos comportamentos (políticos) dos cidadãos. Estes jovens estão, por isso, emocionalmente menos envolvidos com a história de Moçambique . A falta de conhecimentos de história e a sua desvalorização não significa necessariamente futilidade ou alienação , mas antes uma escolha pragmática e racional, estabelecida por novos actores sociais, num novo contexto. Para esta geração a independência constitui um dado adquirido. O mais importante prende-se com os problemas do presente e com as oportunidades que este lhes reserva.

Em segundo lugar, se como foi demonstrado a historiografia de Moçambique condiciona as atitudes dos mais jovens relativamente à história do seu país, um facto é que da parte de alguns estudantes foi evidente uma atitude bastante crítica em relação à historiografia moçambicana. Para os mesmos alunos, a história constitui uma ciência política que transmite uma versão oficiosa e que serve os interesses de um grupo dominante. Como referia um estudante de 22 anos de idade:

- “Agora temos que ter em conta que nessa altura, nós vivíamos num sistema de mono-partidarismo. Em que os professores tinham obrigatoriamente de falar sobre a história de Moçambique e tudo mais”.
- “Temos que ter em conta, que os livros foram feitos consoante os interesses do partido. Nós temos que ver que ensino foi feito no tempo do monopartidarismo. Então, a independência era mostrada, os feitos que a independência trouxe. Falaram um pouco mal do regime para tentar realçar a independência”.
- “Eu acho, que houve um trabalho muito bom, de comunicação de massas. Quer dizer, houve educação. Como uma manipulação. Em que as pessoas só vêm coisa boa e no entanto não conseguiram investigar e tentar ver as coisas mais… Um exemplo concreto: Fala-se de Urias Simango. Urias Simango era o vice-presidente da Frelimo. No entanto todo o mundo tem ideia de que ele foi um traidor. Como é possível um traidor chegar até à vice-presidência sem que antes vissem que… quer dizer, há uma certa manipulação em que as pessoas. Ou têm preguiça de ler, ou então não querem investigar”.

É também neste contexto de crítica à historiografia moçambicana que se podem compreender representações da história menos alinhadas com a versão oficial apreendida nos manuais da disciplina. Trata-se de estudantes que demonstram procurar conhecer a história de uma forma menos ideológica. Alguns alunos problematizaram os pressupostos políticos subjacentes à construção da história e, desta forma, se explica não só a dispersão dos resultados da amostra, como as representações contraditórias do passado colonial. Esta análise reproduz todo um conjunto de pontos de vista provenientes de uma camada social urbanizada e letrada, centrada na capital do país e não representativa da realidade moçambicana. Trata-se de uma população oriunda de grupos economicamente favorecidos (pelo menos por comparação com a sociedade moçambicana), com maiores expectativas de mobilidade social e com uma cultura política mais participativa. Qualquer tentativa de extrapolar estas observações para todo a sociedade moçambicana seria, por isso, abusiva.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Conhecimentos endógenos e a construção do futuro em África

Centro de Estudos Africanos da Universidade do Porto: "No século passado, sobretudo após a descolonização e tomando como referência essas espaços, começou-se a referir e a estudar o conhecimento "endógeno", "indígena", "subjugado", muitas vezes tão-somente designado "saber-fazer". Nos países mais desenvolvidos estas problemáticas eram sistematicamente ignoradas e apesar de Michael Polanyi ter teorizado em 1966 o conhecimento tácito, foi preciso esperar pelos anos noventa do século passado, para ele ser mais frequentemente reconhecido, apesar de pouco considerado pelos investigadores, gestores e políticos." Aqui.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Histeria colectiva



Confira aqui. Leia a minha série Os desmaios femininos na Quisse Mavota, aqui.
Adenda: leia documentos relacionados com fenómenos de histeria colectiva na Libéria em 2006, na Inglaterra também nesse ano e no México em 2007.
Adenda 3 às 6:42: sobre Quisse Mavota e Ndlavela em Moçambique, leia a série Quisse Mavota e Ndlavela: extractos de relatórios médicos preliminares, aqui.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

II Festival do Filme Etnográfico do Recife


O Festival Edição Anterior | I FFER - 2009II Festival do Filme Etnográfico

O II Festival do Filme Etnográfico do Recife tem por objetivo premiar produções cinematográficas/videográficas, produzidas a partir de 2008, que apresentem qualidade técnica reconhecida na área. Poderão ser inscritas produções nacionais e internacionais de documentários, que abordem questões socioculturais contemporâneas sobre pessoas, grupos sociais, processos históricos abordando temas de interesse antropológico. Serão premiados o melhor filme etnográfico e o melhor documentário. Haverá também uma premiação especial do juri popular.
Este festival é uma promoção dos Programas de Pós-Graduação em Antropologia e Comunicação Social da Unversidade Federal de Pernambuco.
E Para essa segunda edição do festival as instituições abaixo relacionadas estão presentes como co-promotoras:

Centre for Visual Antrhopology of Goldsmiths London University
Cineforum – Coontro - Sguardi Da Universidade de Perugia



Festival International du Film Ethnographique du Québec


Apoio Instituicional:

Associacão Brasileira de Antropologia
Grupo de Trabalho de antropologia Visual

domingo, 13 de junho de 2010

Rede de Pesquisa Comparativa

CODESRIA: "No âmbito das iniciativas que estão a ser levadas a cabo através dos seus novos programas, o Conselho para o Desenvolvimento da Pesquisa em Ciências Sociais em África (CODESRIA), lança um apelo a propostas para a constituição de uma Rede de Pesquisa Comparativa (RPC) com o objectivo de realizar estudos sobre ou em torno dos temas que foram identificados como prioritários para o ciclo programático 2007-2011 do CODESRIA." Saiba dos temas, das regras, do prazo de execução e dos montantes alocáveis, aqui.