sábado, 29 de maio de 2010

A inter-produção de conhecimento

Por diversos países do continente europeu ou americano encontramos inúmeros centros de estudos africanos. Ainda que não tenha dados empíricos sobre o assunto tenho por hipótese que os investigadores não africanos estão claramente sobre-representados na maioria destas universidades, nas conferências internacionais ou nas revistas especializadas sobre o conhecimento de África.

Por que motivo não se multiplicam, no continente africano e da mesma forma, centros de estudos europeus, centros de estudos americanos ou centros de estudos asiáticos? Afinal são os que mais investem no continente. Parece-me que não seria muito difícil encontrar financiamento.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Documentário: Língua-vidas em português + Este ano comemora-se o centenário de Aurélio Buarque de Holanda


Este ano comemora-se o centenário de Aurélio Buarque de Holanda

O professor Aurélio Buarque de Holanda era tão apaixonado pelas palavras que decidiu criar o seu próprio dicionário e o seu nome passou a ser conhecido por todos como o dicionário Aurélio.

Mas ele foi autor, filólogo, escritor, tradutor, crítico. O autor popularizou o acesso ao dicionário e inovou ao introduzir citações de outros autores ao lado da definição das palavras. Mas não deixou que o próprio nome fosse incluído na lista, como sinônimo de dicionário.

O Arquivo N presta uma homengem ao centenário de Aurélio Buarque de Holanda.



Documentário: Língua-vidas em português
Vi esse trecho e fiquei com muita vontade de ver todo.
Esse vai pra minha lista de coisas para baixar na internet.
Fica a dica :D

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Bacon e o "método da abelha"

De Francis Bacon: "Aqueles que se ocuparam das ciências foram ou Empiristas ou Dogmáticos. Os Empiristas, à maneira das formigas, apenas amontoam e consomem; os Racionalistas, à maneira das aranhas, tecem teias a partir de si próprios: mas o método da abelha situa-se a meio, já que recolhe a matéria das flores dos jardins e dos campos, mas transforma-a e digere-a através de uma faculdade que lhe é própria. E não é diferente o verdadeiro trabalho da filosofia; não se alimenta apenas ou principalmente das forças da mente, nem deposita intocável, na memória, a matéria que lhe é fornecida pela história natural ou pelas experiências mecânicas, mas antes no entendimento, uma vez modificada e transformada. Assim, de uma aliança mais estreita e respeitada entre estas duas faculdades, a experimental e a racional, aliança que até agora ainda não foi conseguida, algo de bom é de esperar.(...)" BACON, Francis. Novum organum, XCV.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Playboy em Angola e Moçambique

South Africa's first 'Playboy' edition of 1993
De acordo com o Afrol News a revista erótica playboy tem em vista a criação de uma edição angolana ainda durante este ano, considerando também a possibilidade de Moçambique.

A revista apresenta-se a si própria como um espaço de "nude girls, sexy women and playmates" e, desde o início, tem sido alvo da contestação de grupos conservadores e feministas, pelo facto de apresentarem o corpo da mulher de uma forma sexista. A contestação tem variado, no entanto, de continente para continente.

A notícia faz uma observação interessante: No continente africano regista-se um profundo conservadorismo em relação ao sexo e revistas como a Playboy constituem ainda um tabu, tendo inclusive sido banidas em vários países. Exceptua-se a África do Sul, que tem publicada a sua própria edição desde 1993. De acordo com a notícia, Angola e Moçambique constituiriam o segundo e terceiro país africano a publicar a sua edição nacional da Playboy e o grupo alvo constituirá, num primeiro momento, os milhares de imigrantes portugueses residentes nestes dois países.

A concretizar-se este projecto da Playboy, como será a reacção das sociedades angolanas e moçambicanas a este fenómeno? Que espaço terá a revista no mercado local? Quem constituirão os grupos-alvo?

segunda-feira, 24 de maio de 2010

A conferir


Texto a baixar aqui.

domingo, 23 de maio de 2010

"Invasão chinesa"?

(Um casal moçambicano espreita por entre o portão do estaleiro do futuro estádio nacional, em Maputo, 2009)

Na semana passada, numa apresentação pública de um estudo sobre as relações sino-moçambicanas em contexto laboral em Maputo (estudo que será brevemente publicado numa obra do CEA da UEM, coordenado pelo Professor Carlos Serra), foi conferido particular destaque à desmistificação do rumor segundo o qual os trabalhadores chineses em Moçambique constituem populações presidiárias. Trata-se de um rumor largamente difundido por vários países da África austral, por exemplo em Angola, Namíbia, África do Sul e Botswana. A existência deste rumor pode dever-se a 4 factores:


a) à existência de uma memória histórica de trabalho forçado (vulgo chibalo)

b) ao facto de muitos africanos não estarem habituados a ver populações de origem não africana a realizar trabalhos braçais (conduzir máquinas nas obras, carregar baldes, etc.) e a dormir em camaratas, como o fazem muitos trabalhadores chineses.

c) Ao facto de os trabalhadores chineses realizarem longas horas de trabalho (por vezes 80 horas por semana) com uma disciplina laboral extrema e desconhecida no país.

d) Ao facto de estas populações se fecharem sobre si próprias, sobretudo quando interpeladas por populações não asiáticas. Ou seja, “se se escondem é porque têm algo a esconder”.


Um jornalista do jornal moçambicano O País esteve presente na referida apresentação dos resultados e, repetindo acriticamente uma reportagem do El País, deu o seguinte título à peça jornalística: "A invasão chinesa".

Possivelmente, estamos perante um novo receio, o de uma “invasão chinesa”, de uma “recolonização de África”. Recentemente comparei os movimentos migratórios de populações chinesas para outros países da Ásia, Europa e América e constatei que a esmagadora maioria destas populações não se desloca, de forma alguma, para o continente africano e muito menos para Moçambique.


Com base em dados de 1997 (portanto claramente desactualizados), a população chinesa na Indonésia (7,3 milhões), Tailândia (6,3 milhões), Malásia (5,4 milhões), Estados Unidos (2,7 milhões), Rússia (1 milhão) é claramente superior à actual população chinesa na África do Sul (já li que são 300 mil, também já li que são cerca de 500 mil) ou em Moçambique (actualmente são 10 mil? 20 mil? ninguém sabe ao certo).


O que é uma "invasão"? Porquê a utilização deste conceito? Faz sentido falar em “invasão chinesa”?

Qual a diferença entre Durkheim, Karl Marx e Max Weber?



Uma vez me deparei com essa pergunta na Internet. “Qual a diferença entre Durkheim, Karl Marx e Max Weber?”. Vi a seguinte resposta:

Émile Durkheim (Épinal, 15 de abril de 1858 — Paris, 15 de novembro de 1917) é considerado um dos pais da sociologia moderna. Durkheim foi o fundador da escola francesa de sociologia, posterior a Marx, que combinava a pesquisa empírica com a teoria sociológica. É reconhecido amplamente como um dos melhores teóricos do conceito da coerção social.Partindo da afirmação de que "os fatos sociais devem ser tratados como coisas", forneceu uma definição do normal e do patológico aplicada a cada sociedade.

Karl Heinrich Marx (Tréveris, 5 de maio de 1818 — Londres, 14 de março de 1883) foi um intelectual alemão considerado um dos fundadores da Sociologia. Também podemos encontrar a influência de Marx em várias outras áreas tais como: filosofia, economia, história já que o conhecimento humano, em sua época, não estava fragmentado em diversas especialidades da forma como se encontra hoje. Teve participação como intelectual e como revolucionário no movimento operário, sendo que ambos (Marx e o movimento operário) influenciaram uns aos outros durante o período em que o autor viveu.Atualmente é bastante difícil analisar a sociedade humana sem usar seu pensamento como referência, mesmo que a pessoa não seja simpática à ideologia construída em torno de seu pensamento intelectual, principalmente em relação aos seus conceitos econômicos.


Maximillian Carl Emil Weber (Erfurt, 21 de Abril de 1864 — Munique, 14 de Junho de 1920) foi um intelectual alemão, jurista, economista e considerado um dos fundadores da Sociologia. Seu irmão foi o também famoso sociólogo e economista Alfred Weber e sua esposa a socióloga e historiadora de direito Marianne Schnitger.
A análise da teoria weberiana como ciência tem como ponto de partida a distinção entre quatro tipos de ação:A ação racional com relação a um objetivo / A ação racional com relação a um valor/ A ação afetiva / A ação tradicional


Achei a resposta  muito simplória para acreditar que era só isso que os diferenciavam.
Lembrei de quando eu era pequeno e via televisão o dia inteiro. Aquela caixa mágica era meu vínculo com a sociedade para além do meu lar.

Na escola nunca fui o mais popular, nem fui bom em esportes. Hoje dou boas gargalhadas lembrando que as moças só falavam comigo para pedir as respostas das questões de matemática ou para pedir uma caneta.



Aos poucos fui me tornando mais introspectivo e aquela caixa mágica foi se tornando uma referência para mim. Já adulto comprei um computador e isso significou muito para meu trabalho. Então, meio que troquei a TV pelo computador, vale lembrar que os livros nunca perderam sua função para mim. Minha mãe uma vez me pegou literalmente com o rosto na tela da TV, ela me perguntou o que eu via ali, eu respondi que via pontos vermelhos, azuis e verdes.
Esses pontos ficaram na minha memória. Como podem 3 cores conseguirem mostrar todo o mundo?

Entrei na Universidade e descobri Marx, Durkheim e Weber, Os 3 porquinhos.
Na minha mente de alguma forma eu associei as cores aos autores, Marx era vermelho, Durkheim era Azul, e Weber era verde.
 
Sempre vinculei o pensamento de Durkheim a busca da harmonia na sociedade, já Marx eu associava a transformação, a luta de classes, a busca pela ruptura de velhos paradigmas, e Weber para mim era alguém que buscava os sentidos e os rumos que a sociedade poderia ter.

Como três pensamentos distintos podem ter o poder de descrever o mundo?
Eu achava isso incrível e por vezes tentei destruir as “casas dos 3 porquinhos” usando o lobo mau da realidade. Mas sempre uma das “casas - teorias” deles ficava em pé.



Analogia que eu fazia com o conto dos três porquinhos, que cada um construiu uma casa de material diferente buscando resolver o mesmo problema, o lobo mau que para mim era a realidade, que destrói todo e qualquer idealismo ou pretensa visão de mundo que tente confinar a realidade. 
Mas aquelas cores?
Depois descobri que aqueles pontos eram pixels, e que cada um deles contém as três cores: azul, verde e vermelho e que combinando tonalidades dos três pontos é possível exibir pouco mais de 16.7 milhões de cores diferentes. Foi então que as coisas começaram a fazer mais sentido.
Da mesma forma que somente três cores tinham a capacidade de representar a realidade na tela da TV, os clássicos conseguiam representar de alguma forma uma teoria social que representaria a realidade social,  nem que fosse de maneira desbotada.

Entendi que a habilidade das três teorias clássicas consiste justamente na capacidade delas de serem distintas entre si, de interpretarem a realidade social de três pontos de vista diferentes. Assim como na história dos três porquinhos, duas das três casas poderiam cair, mas pelo menos uma ia ficar de pé e dar conta do recado, e pelo menos igualar força com a realidade cruel do lobo mau.  

A vida vista "por baixo"


Um trabalho de Gemuce (entrevista que lhe fiz aqui), por mim colocado no "youtube" em Fevereiro de 2008. Trata-se do resultado de uma câmara de vídeo fixada em quem parte para e em quem vem da Catembe para a cidade de Maputo. Apreciem as roupas, os sapatos (reparem que as mulheres usam, regra geral, chinelos e sapatilhas, algumas vezes veremos sapatos de melhor qualidade), a forma de caminhar, os tipos sociais possíveis de descobrir, as capulanas, os sacos, as sacolas, os baldes, os tchovas, etc.

sábado, 22 de maio de 2010

Sociologia: desporto de combate

Nota: elo enviado pela Yla, estudante brasileira.

Comunicação simbólica e institucional na UEM

"Em termos de avisos constatou-se que predominam nas paredes o aviso “proibido afixação de anúncios e cartazes”. De facto existem espaços disponibilizados para o efeito, muitos dos quais não estão preenchidos. Na informação disponibilizada predomina aquela emitida por instituições externas à universidade (ICMA, FAO, MINERVA, Centro Franco-Moçambicano, EU, etc.), que comparativamente têm um carácter bem mais atractivo e apelativo (aposta na cor, na imagem e no design). Quando informação é emitida pela universidade predomina um discurso de cariz mais imperativo (ex. “os alunos são avisados” em vez de “informam-se os alunos”), de cariz mais vertical. A universidade apresenta-se de forma autoritária a exercer o seu poder sobre a produção de informação. A informação é vertical desencadeada pela UEM ou por instituições da sociedade civil e muito pouca por parte dos alunos (ou de instituições representativas dos mesmos). Nenhum aluno interpelado demonstrou conhecimento sobre a localização da sede da associação de estudantes. Refira-se que predomina a informação de cariz institucional (sobre eventos culturais, etc.) e muita pouca informação sobre eventos festivos."
No decorrer do atelier sobre Ciências Sociais realizado em Maputo, três equipas de cursantes executaram um pequeno trabalho prático numa tarde. O trabalho foi executado no campus da Universidade Eduardo Mondlane por cursantes de Angola, Guiné-Bissau, Cabo-Verde e Moçambique. Queiram conferir um dos trabalhos, de observação participante, ilustrado com fotografias, com o tema em epígrafe, aqui.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

A definição de agendas de investigação

(Maputo, 1 de Maio de 2010)
Espero que tenham todos realizado uma boa viagem de regresso e que tenham gostado da cidade de Maputo.
Uma questão que durante o atelier mereceu aceso debate e que foi recorrente em várias sessões relacionou-se com a definição das agendas de investigação em África. De acordo com os intervenientes dos vários países, os modelos de análise são impostos de fora, cabendo aos investigadores africanos simplesmente executar projectos de investigação pensados por outros. De "pensadores", os investigadores passaram a "pensados". Acho que ainda há algumas questões para reflectir e que não se esgotam na lista seguinte:
1- Que temas têm merecido maior atenção por parte das agências de financiamento/consultoria?
2- As consultorias têm permitido a realização de investigações que de outra forma não seriam exequíveis? De uma forma geral é possível avaliar a qualidade/credibilidade desses trabalhos?
3- O que são temas de interesse africano? Ou melhor, que temas poderiam ser definidos como prioritários pelos centros de investigação africanos (independentemente do que é ou não financiável)?
4- Na sequência da questão anterior, que critérios estariam subjacentes a essa determinação? Que motivações (políticas) estariam inerentes a esse interesse?

Comunicação

No ontem terminado seminário do CODESRIA/CEA, os estudantes executaram trabalhos práticos. Um dos três grupos trabalhou uma tarde a estudar a "Comunicação institucional da UEM". Aguardem os resultados.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Boa tarde a todos

A todos tenham uma óptima viagem e aos Moçambicanos um grande kanimambo.
Armando N'nhinda (cursante da Guiné-Bissau)